• Cintia Almeida

76% dos profissionais estão infelizes no trabalho

Uma pesquisa realizada em 2016 pelo International Stress Management no Brasil (Isma-BR), revela que somente 24% dos brasileiros se sentem realizados com sua vida profissional. Do outro lado, está a esmagadora parcela que se arrasta diariamente para o local de trabalho. A mesma pesquisa aponta que entre as mulheres a porcentagem de infelizes é ainda maior, dada a quantidade de afazeres extras além do expediente. Carga horária elevada, cobrança excessiva, competição exagerada e pouco reconhecimento estão no topo da lista das razões de insatisfação.

Durante as sessões de coaching tenho me deparado com muitos profissionais incríveis nessas condições e, analisando o que está por trás da insatisfação, encontro o desalinhamento entre os valores pessoais e os valores da empresa, falta de propósito, escolhas pautadas quase que exclusivamente no status e remuneração, ter seguido a carreira dos pais por pressão e o medo da mudança, de buscar um novo trabalho, de empreender, de se lançar ao desconhecido.

Um dos meus clientes, jovem de 24 anos com um salário bem acima da média dos demais da sua idade, chegou a verbalizar que tem medo de ser promovido porque não quer a vida que seu superior direto leva. Está em busca de mais equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, coisa que não vê na vida dos que estão à frente da empresa onde trabalha.

A parte triste de tudo isso é constatar: há quem passe uma vida inteira nessa condição, numa angústia diária a cada soar do despertador ou sempre que a noite do domingo se aproxima. A pergunta que ressoa é: o que fazer quando preferimos ter uma enxaqueca a ter que ir para o trabalho?

Vamos olhar as características comuns aos que estão felizes no trabalho, constatado pela mesma pesquisa:

1.         Autoestima: têm autoestima elevada e orgulho de quem são.

2.         Autoconfiança: sabem das sua habilidades e capacidades, são independentes e correm mais riscos.

3.         Otimismo: não são tão vulneráveis aos estímulos externos, sabem quando uma crise é passageira e vivem o aqui e agora.

4.         Foco: têm objetivos específicos e sabem onde querem chegar.

5.         Flexibilidade: sabem que é sempre possível replanejar a rota e redefinir os objetivos, se preciso for.

Todas as características envolvem autoconhecimento e atitude. Não estão relacionadas ao meio, mas ao que está dentro de cada um de nós. Quantas vezes você já parou para refletir se está no lugar mais apropriado para produzir com todo seu potencial? Talvez você até tenha chegado à conclusão que realmente está no lugar errado, mas não tem encontrado forças para mudar. E repare que o fato de estar hoje no lugar errado, não significa que sempre esteve. Este foi o “lugar certo” por um período, talvez longo.

O primeiro passo para a mudança muitas vezes passa pela reconciliação consigo mesmo. Talvez pelas escolhas equivocadas, pelo fracasso resultante de não estar no ambiente propício, pelo medo que congelou as pernas diante de uma oportunidade de mudança de rota.

A boa notícia é que mudar não significa necessariamente jogar no lixo toda a carreira que já construiu até aqui. Ao contrário: é se apropriar da bagagem adquirida, identificar seu propósito de vida e observar as oportunidades ao redor.

Que tal parar por alguns minutos e refletir sobre sua felicidade na profissão e os passos para o futuro?

Fica aqui uma famosa frase de Aristóteles para nortear essa reflexão:

“Quando os seus talentos encontram as necessidade do mundo, ali está a sua VOCAÇÃO”.


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