• Cintia Almeida

Legalmente, eu poderia abortar

Quando diagnosticamos a Síndrome de Edwards na gestação do Heitor, o médico nos informou que, neste caso, o aborto já é permitido no Brasil. Na visão da medicina, a síndrome é “incompatível à vida”. Uma sentença de morte declarada. Por isso, é permitido interromper a gestação. Em outras palavras, a lei diz: se é um fato que seu filho vai morrer, já acaba com isso logo!


É óbvio que nossa opção foi seguir em frente, mesmo em meio ao buraco que se abriu na nossa frente.

Primeiro porque verdadeiramente acredito em milagres. Creio que Deus pode mudar qualquer sentença. Creio no Deus da vida. E, mesmo o milagre não acontecendo como havíamos pedido, continuo crendo. Porque aí o milagre aconteceu em mim: de aceitar que não tenho controle de absolutamente nada e que a vontade de Deus é perfeita, ainda que a minha inteligência não alcance!


Mas aqui, o ponto não é a minha fé. O ponto é que, independente da fé, ver sua barriga crescendo e saber que seu bebê pode morrer a qualquer momento no ventre ou minutos, no máximo meses, após nascimento, é uma dor incomensurável.


E diante da dor ou de escolhas que nos trazem consequências diferentes daquelas que planejamos, é muito MAIS FÁCIL estirpar da sua vida (ou do seu ventre, nesse caso) aquilo que gera a dor do que levantar, enfrentar e passar a ser um ser humano melhor. E sabe por quê? Porque SOMOS EGOÍSTAS. Porque preferimos que o outro sofra ao invés de nós.

Está aí a raiz da discussão do aborto: no egoísmo humano. Mas é muito difícil assumir que somos egoístas. Então, é mais fácil mudar a base da discussão. Começa-se a discutir o direito da mulher e de seu corpo (enquanto quem cresce no ventre, não tem voz pra clamar pelo mesmo direito). Discute-se sobre em que momento acontece a vida, quando todos sabem que um óvulo fecundado que encontra bom ambiente pra se desenvolver já é uma pessoa em formação! Enfim, poderia listar aqui tantas outras insanas discussões para mascarar o que realmente está por trás desse tema.


Pode ser mesmo que legalizem o aborto e, infelizmente, muitos inocentes tenham que sacrificar suas vidas. Me compadeço deles e das mães, que escolherem interromper a vida que está em curso. Me compadeço delas porque tiveram a oportunidade de gerar vida mas optaram por gerar cadáveres.




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